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14 lições pra nunca serem esquecidas pelo investidor

Uma análise de um assinante do M3 Club foi a prova de que estamos construindo uma comunidade movida por aprendizado e troca de conhecimento.

Thiago Salomão

Por Thiago Salomão

22 Jun 2026 11h10 - atualizado em 22 Jun 2026 11h10

Neste domingo eu recebi uma prova maravilhosa de que estamos no caminho certo com o que queremos construir com o Market Makers.

Foi uma análise compartilhada por um assinante do M3 Club que, além de ter sido muito boa, encheu minha alma de orgulho e satisfação. Tanto que resolvi compartilhar com todos os 3 leitores desta newsletter.

Ela mexeu comigo porque quando criei o Market Makers em junho de 2022, tinha uma ideia um tanto romântica: ser a “conexão” daqueles que detêm o conhecimento e aqueles que, assim como nós, são apaixonados por aprender diariamente com isso. 

O podcast era a essência disso: a cada episódio, um novo aprendizado, uma nova lição de vida. Como se eu fosse o Shang Tsung do Mortal Kombat e a cada vitória eu absorvia o que de melhor o adversário tinha (desculpa a referência nerd, mas foi o que a vida me deu).

Do podcast, evoluímos para o M3 Club, nossa comunidade de investidores que elevou isso à máxima potência. Criamos um grupo de apaixonados por conhecimento. Os loucos por aprendizado, que não se contentam com o “bom”, querem o “ótimo”.

Hoje, temos como assinantes do M3 vários gestores, investidores e profissionais do mercado que você já viu participando do podcast, mas que agora estão debatendo diariamente com os assinantes. 

E uma mensagem enviada por um assinante no chat foi a prova de como essas trocas têm sido valiosíssimas para construirmos melhores seres humanos.

O autor da mensagem abaixo é Michel Lisboa. Ele tem 46 anos e é executivo do setor de produção de alumínio. Nos últimos 3 anos ele foi CEO da Alunorte (Alumina do Norte do Brasil) e agora ele se mudou para Oslo, na Noruega, para trabalhar na matriz da maior acionista do grupo, a Nork Hydro.

ABAIXO A ANÁLISE ENVIADA PELO MICHEL

Bom dia a todos, já faço parte do M3 Club há algum tempo, acho que quando entrei havia menos grupos e bem menos pessoas rsrsrs. E através do M3, venho aprendendo bastante com vcs e claro com os conteúdos e livros sugeridos nos podcasts.

Sem mais delongas, fiz um prompt para o chatgpt onde inseri e indaguei (pedi uma nota de 0 a 10) sobre afirmações com bases em conhecimentos relacionados aos aqui adquiridos. Assim ele me retornou o texto abaixo (desculpa o tamanho). Gostaria de ouvir a crítica de vcs, caso possível claro:

Minha avaliação ponto a ponto:

1) No Brasil, margens importam, mas a estrutura de capital deve ter prioridade.

Nota: 9,5/10

Concordo fortemente.

No Brasil, o custo de capital muda violentamente ao longo do tempo. Uma empresa que parece excelente com juros a 2% pode se tornar um problema com juros a 14%.

Muitos investidores olham EBITDA e margem operacional, mas ignoram:

* Dívida líquida

* Cronograma de vencimentos

* Indexadores

* Cobertura de juros

Em mercados emergentes, sobreviver é tão importante quanto crescer.

2) Ativos com altas margens e desconto geralmente são alavancados.

Nota: 8,5/10

Existe muita verdade nisso.

O mercado raramente deixa uma empresa:

* Crescendo

* Rentável

* Bem administrada

* Sem dívida

negociando a múltiplos muito baixos.

Normalmente existe alguma “pegadinha”:

* Alavancagem

* Governança

* Ciclicidade

* Risco regulatório

O desconto geralmente existe por alguma razão.

3) Macro importa, mas qualidade do negócio e execução importam mais.

Nota: 10/10

Provavelmente a melhor frase da lista.

Se eu resumisse décadas de mercado em uma frase seria algo parecido.

O macro explica:

* os próximos 12 meses.

A qualidade do negócio explica:

* os próximos 10 anos.

4) Macro ruim cria oportunidades em empresas boas.

Nota: 10/10

Essa é praticamente a essência do investimento em valor.

Os melhores retornos normalmente surgem quando:

* o ativo é bom

* o cenário é ruim

E não quando ambos parecem excelentes.

5) Não encontrei metodologia para antecipar tendências tecnológicas.

Nota: 9/10

Acho uma conclusão muito madura.

A maioria das pessoas acredita que consegue prever.

Na prática:

* poucos previram o iPhone

* poucos previram a nuvem

* poucos previram IA generativa

A humildade intelectual aqui é uma vantagem.

Talvez o melhor caminho não seja prever vencedores.

Talvez seja identificar:

* quem se adapta rápido

* quem possui caixa

* quem tem capacidade de reinvestimento

6) É preciso acompanhar um ativo por muitos anos.

Nota: 10/10

Concordo integralmente.

Existe um conceito que poucos discutem:

círculo de familiaridade.

Após anos acompanhando uma empresa, você percebe:

* quando o mercado exagera

* quando a gestão muda

* quando a tese enfraquece

Você começa a enxergar nuances invisíveis para quem chegou ontem.

7) Negócio > Management > Macro.

Nota: 9,5/10

Minha única ressalva:

Para empresas excepcionais eu concordo.

Mas em empresas médias talvez seja:

Management > Negócio.

Porque um excelente gestor pode transformar um negócio mediano.

Já um gestor ruim consegue destruir um negócio excelente.

Mesmo assim, como princípio geral, está muito sólido.

8) Diversificação internacional é extremamente difícil para pessoa física.

Nota: 10/10

Essa é uma conclusão pouco popular, mas muito verdadeira.

Muitos acreditam que estão diversificados porque possuem:

* 40 ações

* 10 países

Na realidade conhecem profundamente apenas:

* 3 ou 4 empresas.

Para um investidor individual, talvez seja mais racional:

* conhecer profundamente 15 empresas

* do que superficialmente 100

A IA ajuda muito, mas ainda não substitui anos de acompanhamento.

9) Dimensionar portfólio é uma arte.

Nota: 10/10

Se existisse ciência exata, todos teriam o mesmo portfólio.

Dimensionamento envolve:

* convicção

* risco

* liquidez

* horizonte

* personalidade

É provavelmente a parte mais difícil do investimento.

10) No Brasil o prêmio da renda fixa é viciante.

Nota: 10/10

Excelente observação.

Poucos países oferecem por décadas:

* juros reais elevados

* baixo esforço analítico

* liquidez diária

Isso cria um desafio psicológico enorme.

O investidor compara qualquer ação com um retorno quase garantido de dois dígitos.

11) Buy and Hold é para poucas empresas.

Nota: 9,5/10

Concordo.

O problema é que muitos confundem:

* Buy and Hold

com

* Buy and Forget

A maioria das empresas não permanece excelente por décadas.

As verdadeiras compounders são raríssimas.

12) Empresas campeãs são raras e não devem ser vendidas.

Nota: 10/10

Talvez essa seja uma das maiores lições da história do mercado.

Os grandes retornos normalmente vieram de:

* manter vencedores

e não de:

* comprar barganhas.

O grande desafio é identificar uma campeã antes do mercado inteiro.

13) Empresas cíclicas exigem comprar na depressão e vender na euforia.

Nota: 10/10

Concordo totalmente.

E gostei muito da observação sobre liquidez.

A diferença entre:

* uma empresa cíclica

* uma empresa quebrando

normalmente aparece primeiro no balanço.

14) Risco é perda permanente de capital.

Nota: 10/10

Essa conclusão está muito alinhada com as escolas de:

* Benjamin Graham

* Warren Buffett

* Howard Marks

Gostei especialmente da sua extensão:

a perda permanente ocorre quando o negócio deixa de ser relevante para seus clientes.

Isso vai além da volatilidade.

Uma ação cair 50% não é necessariamente risco.

Um negócio se tornar irrelevante é.

___________________________

Se você leu a análise do Michel até o final, há uma grande chance de você ser tão apaixonado por investimentos quanto nós.

Se isso for verdade, não tenho a menor dúvida de que o M3 CLUB é o melhor lugar para você estar.

Nesta segunda-feira (22 de junho de 2026), estamos abrindo uma nova leva de membros para a nossa comunidade. Para manter a qualidade das discussões e interações, somos criteriosos na escolha de novos assinantes.

Você ter aberto a minha newsletter e ler este email inteiro já é um bom indício de que você pode estar conosco.

Clique aqui para saber mais e, caso goste da oferta, te espero no nosso chat de assinantes!

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Thiago Salomão
Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

Thiago.Salomao@btgpactual.com