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Os problemas de ontem que temos hoje
O Brasil nasceu endividado. Mais de 200 anos depois, a conta já passa de R$ 10 trilhões. E o que isso tem a ver com a eleição?
Para o mercado, o grande tema dessa eleição é o ajuste fiscal. Não como condição em si, mas por todas as implicações que ele traz – se feito e se não feito. Só que, embora atualíssimo, esse problema não tem nada de novo. Ele remonta ao início do Brasil, inclusive.
Para pagar a própria independência, o Brasil se alavancou. Em 1825, Portugal pediu 2 milhões de libras esterlinas a Dom Pedro a título de indenização. Como não tinha o dinheiro, o Brasil foi pedir na Europa ajuda para o pagamento. A questão é que parte desse dinheiro ia direto para pagar uma dívida dos portugueses. Que eles tinham contraído para pagar a guerra CONTRA o Brasil e evitar a independência.
Repare nas camadas de absurdo: com três anos de vida, o país tinha que pagar para ser independente, contrair uma dívida para fazer esse pagamento e sabia que parte dele ia ser para custear seus inimigos vencidos numa guerra.
É esse creme de absurdo batido com ultraje que carrega a dívida brasileira que hoje ultrapassa os R$ 10 trilhões, 82,5% do PIB.
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Agora, vale aqui um esclarecimento. A proporção da dívida em relação ao PIB poderia ser irrelevante. Veja, EUA e Japão tem percentuais muito maiores. Mas a questão é que a dívida brasileira é cara.
Só em 2025, o país pagou mais de R$ 1 trilhão em juros. É mais do que o orçamento destinado ao Bolsa Família, à Saúde e à Educação somados. E aqui a gente deveria quebrar a ideologia deste assunto.
Corrigir a trajetória da dívida não é assunto de mercado. Mas assunto que interessa a quem usa saúde pública, educação e até dos beneficiados do Bolsa Família porque, não fosse essa dívida e seus juros, o Brasil poderia estar investindo ainda mais nesses setores.
A agência Moodys calcula que 20% da receita do Brasil é consumida por pagamento de juros. Para efeito de comparação, países que têm a mesma nota de risco na agência marcam cerca de 14%. Um disclaimer: você já deve ter visto por aí um número maior, de 28% do orçamento destinado à dívida. É importante ressaltar que nesse cálculo maior inclui-se a rolagem.
Ou seja: o Tesouro emite um título novo para pagar um título velho que venceu. Entra e sai. Não é gasto de verdade. O número que dói é o outro. É o juro.
Um abraço,
Leopoldo Rosa